do PAI QUE EU TIVE

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Pai erra. Erra muito. Erra feio. Pai é gente.

O pai que eu tive teria (sim, há controvérsias) completado noventa anos domingo passado, 7/7/2013. Provavelmente apagou conosco, numa realidade paralela vizinha,  velinhas que por aqui não sopra há duas décadas.

Não me viu casar. Não me viu virar gente grande, adulto responsável cumpridor de obrigações e pagador de impostos. Não me viu virar pai.

Deixou lembrança, mas não herança, e de exemplo muito do que não fazer. Sofreu e morreu, envergonhado por, na última milha da caminhada, depender (pra tudo) de outro alguém, dentre os quais este a quem ele chamava de “comunista”; sim, pra ele era ofensa.

Chorar quando tudo terminou esteve além das minhas possibilidades, e terapia nenhuma foi (ainda) suficiente pra passar a limpo essa relação, do fim pro começo.

Saudades do que poderia ter sido.

Defeito aos borbotões tinha o pai que eu tive, mas, no limite, quem de nós é santo? Céu não faz sentido haver, Inferno muito menos, Purgatório é como devíamos chamar esse tempo que por aqui passamos tropeçando e caindo e levantando entre o “não existir” e o “deixar de existir”. Pois meu pai existiu, fez-se presente, me criou e é metade do que carrego nos cromossomos já devidamente perpetuados. Agiu como agiu, fato, humano no que isso tem de melhor e de pior.

Tinha história, e histórias; moral pouca, final nem sempre feliz. Ele ficou, eu sigo. E me lembro, “Seu” Jaime, me lembro. E entendo. E aceito.

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9 Respostas to “do PAI QUE EU TIVE”

  1. Regina Gaeta Says:

    Érico, pais fazem muita falta, e o único alento que encontro diante da saudade de ter perdido os meus é pensar que de certa forma “dei certo”, e fiz todo o trabalho que tiveram comigo valer a pena.
    A pessoa que você é hoje dá um crédito enorme ao seu pai.
    Um forte abraço.

  2. Fabio Saraiva Teles Says:

    entendo… E como entendo!!! O que “Seu”Jaime fez de errado (ou deixou de fazer certo!) já não importa mais… O que importa é o que de certo ele fez e deixou por aqui…e o texto acima prova que não foi pouco… Parabéns pra ele!!!

  3. Jayme Says:

    queria até conseguir ve-lo como vc mas não é possivel de qualquer forma parabens pra ele e bola pra frente q atras vem gente

  4. Cátia Veríssimo Says:

    Foi o meu também… hummm, aprendi com os erros, adorei os acertos e os mimos de ser “filha mulher” (lembra disso?rs). Hoje eu deambulo, irmão, porque é muito mais que simplismente caminhar… a vida é especialmente complicada e pirada, e combina comigo pq só tenho essa. Só sobrou essa pra mim, então eu sigo da melhor forma. Os problemas? Eu arrasto no asfalto, pq meu pai me ensinou a ser homem, e minha mãe mostra todos os dias como continuar sendo. Esse sim foi um grande acerto: a mulher que ele escolheu pra caminhar comigo, hoje, em uma inversão de papéis em determinadas situações, que só me faz sentir orgulho da minha criação. Vamos viver. Muito ou pouco não importa, vamos viver.

    • verossimil Says:

      Faço força pra dar aos acertos de que me lembro o mesmo peso que dou aos erros que insisto em não esquecer. Não é fácil. Pai que hoje sou, tenho o pai que tive (tivemos) como exemplo, paciência, especialmente no que deu errado. Claro, cada vez mais entendo (ou, no mínimo, aceito) o que fez nosso “gordo” (e não tem nada a ver com isso de “ensinar a ser homem”) na vida, mas há muito descobri que é receita certeira pra frustração tentar idealizar pai e mãe como heróis infalíveis que só agem querendo o melhor pra prole…

  5. Denise Says:

    Verinho, desconheço a razão – já que nem o conheço -, mas gosto de você. Só sei que Seu Jaime acertou bonito ao fazer esse bebê que a foto mostra, e que tem todo o tipo de quem já foi chorão, teimoso e sapeca. E agora vem você, cético, questionador, inteligente, às vezes cínico, às vezes cândido, despejar suas ideias, suas incertezas, suas observações, suas “veracidades”, “sobre” gente como eu, que há algum tempo desconhecia a sua existência e agora o acompanho de longe, muitas vezes admirando aquilo que diz – e sempre enviando energias boas, o que quer que isso possa significar.
    “Te curto”, Vero! E é vero!

  6. Denise Says:

    Certo, chorão! Até qualquer hora lá no Twitter! rs

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